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O SEGUNDO TURNO VISTO DE SANTARÉM - O Impacto

O SEGUNDO TURNO VISTO DE SANTARÉM O Impacto

O Impacto·25 de outubro de 2026 às 11:48· santarém
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O SEGUNDO TURNO VISTO DE SANTARÉM - O Impacto

Flávio entra no domingo com ligeira vantagem numérica, dentro da margem de erro. E Santarém costuma ampliar a diferença para a direita

Hoje os santarenos votam no segundo turno da eleição presidencial. Esta coluna não pede voto e não projeta vencedor. O que ela faz é reunir o que os números permitem dizer, nacionalmente e em Santarém, para que o leitor acompanhe a apuração desta noite sabendo o que está vendo.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) teve 47,03% dos votos válidos e Lula (PT), 45,16%, com 100% das seções apuradas. Os demais candidatos somaram 7,81%. Se esses eleitores votarem só em um dos dois e nada mais mudar, a conta é simples: Lula precisaria de cerca de 62% dos votos dos outros candidatos para virar, e Flávio precisaria de cerca de 38% para manter a dianteira.

É uma conta simplificada. Ela ignora abstenção, votos em branco e nulos, e o fato de que o voto não se transfere de forma automática. Serve como ponto de partida, e não como previsão. As pesquisas, que mostram uma disputa bem mais apertada, indicam que o quadro não é tão linear.

Percentuais sobre votos válidos. As trêsúltimaspesquisas, de Datafolha e Quaest, foram a campo na sexta-feira (23), dia do debate da TV Globo, e no sábado (24); no Datafolha, cerca de metade das entrevistas foi feita depois do debate. Ambas mostram Flávio com 51% e Lula com 49%. A AtlasIntel/Bloomberg, com coleta de 18 a 23/10 (portanto só em parte posterior ao debate), traz Flávio com 50,8% e Lula com 49,2%. Em todas, a diferença está dentro da margem de erro, o que a imprensa chama de empate técnico. A leitura desta coluna é que Flávio entra no domingo com uma ligeira vantagem numérica: larga na frente nas urnas do primeiro turno e lidera, por pouco, nas pesquisas mais recentes. Ligeira, e dentro da margem. Não é um quadro decidido.

O debate da Globo teve avaliações opostas conforme quem o comenta. Três dos cinco comentaristas da Jovem Pan apontaram Flávio como vencedor, e os outros dois disseram que não houve vencedor. Já os colunistas de O Globo deram notas médias de 2,7 a Lula e 2,4 a Flávio, numa escala de 1 a 5, ambas abaixo da metade da escala. Analistas ouvidos pelo Brasil de Fato viram Lula na frente.

Minha leitura é que Flávio foi ligeiramente melhor, por ter sido mais equilibrado e por ter falado de propostas diretamente ao eleitor indeciso, que pode decidir uma eleição apertada. É uma leitura, e ela encontra algum respaldo: nas pesquisas feitas em parte depois do debate, Flávio ganhou um ponto em Datafolha e Quaest, de 50% para 51% nos válidos. Mas é um ponto, dentro da margem de erro, e os próprios analistas lembram que debate raramente muda voto. Não dá para atribuir a ele o movimento.

Santarém é o município onde esta coluna tem maior interesse, e onde os números são mais regulares. No segundo turno de 2022, a direita fez 55,57% dos votos válidos (102.608 votos, contra 82.030 de Lula). No primeiro turno de 2026, considerando apenas os dois candidatos, Flávio fez 57,96%. No Pará, o quadro é inverso: Lula foi o mais votado no primeiro turno, com 49,91% contra 44,50% de Flávio, e Santarém ficou, nos dois anos, cerca de 10 pontos mais à direita do que o estado.

Com uma base de 190 mil votos válidos, entre os 184.638 de 2022 e os 198.672 do primeiro turno de 2026, os cenários para a noite de hoje seriam estes:

Cada ponto percentual de diferença vale cerca de 3.800 votos de margem. Não são previsões. São referências para quem acompanhar a apuração: se Santarém ficar abaixo do cenário de 2022, o eleitorado local terá se movido em relação ao padrão dos últimos anos. Se ficar acima do de 2026, também.

Os números de Santarém são por zona eleitoral, e mostram a direção do conjunto, não o voto individual. A comparação de 2022 usa o segundo turno e a de 2026 usa o primeiro. As pesquisas têm margem de erro e não são o resultado. Em eleições decididas por dois ou três pontos, o fator que costuma pesar mais é a participação: quem vai votar e quem fica em casa.

Seja qual for o lado de cada leitor, a obrigação é a mesma: votar, e votar informado. À noite, os números dirão o resto.

Fábio Maia é consultor político, com atuação no Oeste do Pará. Escreve aos domingos e quartas no Jornal O Impacto.

Fontes: TSE (primeiro turno e resultados de Santarém por zona, 2022 e 2026); Datafolha (BR-09540/2026), Quaest (BR-09158/2026), CNT/MDA (BR-02136/2026), AtlasIntel/Bloomberg (BR-06380/2026) e Vox Brasil (BR-04332/2026), todas registradas no TSE; Jovem Pan, O Globo e Brasil de Fato, sobre o debate; cálculos próprios.

O conteúdo deste artigo é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do jornal ou de sua direção.

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